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Dia Nacional da Consciência Negra


Texto enviado pelo barralonguense Antônio Freitas Neto e publicado no Jornal Ponto Final


Dia Nacional da Consciência Negra

Quando encontramos um tema de tamanha valia como este, entregamos de corpo e alma, para tentar mostrar um pouco desta história marcada por uma realidade que mudou no tempo uma verdade que tentavam esconder, ou seja, o valor, mas determinada pelo valor do Negro na história, nas famílias, nas artes e na cultura. 20 de novembro transformado no Dia Nacional da Consciência Negra. Não por acaso, mas para homenagear a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.
O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras. Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado “Ganga Zumba” foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.
Alguns anos após a sua fundação foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife. O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem. Após caminhar mais de 100 quilômetros, chegou à Serra da Barriga.
Ao chegar recebeu um novo nome. Passou a se chamar-se, Zumbi. Com seus conhecimentos, logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias atuais. Com a queda do rei Ganga, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo, o bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, em Pernambuco. Em 20 de novembro, Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo, foi torturado e capturado. Jorge Velho matou Zumbi e o decapitou levando sua cabeça até a Praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição. Deus da Guerra seja qual for à tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade.
Os anos foram passando, e ele permanece, sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade. O Dia Nacional da Consciência Negra, homenagem que deverá ser sempre rendida a todos os negros e trabalhos, coragens, artes que tornaram possível o desenvolvimento na terra do pau Brasil. Esta homenagem vinda de 1.695 torna-se a cada dia mais presente por sentirmos de perto o valor deste povo, desta gente, parte de nossas famílias, residentes nos mais diversos cantos de nossa terra. Muitas pessoas eram contra essa forma de tratar os negros, várias tentativas aconteceram para defender seus direitos. Em 1871 a “Lei do Ventre Livre” libertou os filhos de escravos que ainda iriam nascer. Em 1885 a “Lei dos Sexagenários” deu direito à liberdade aos escravos com mais de sessenta anos.A Princesa Isabel foi responsável pela libertação dos escravos, quando assinou a “Lei Áurea”, em 13 de maio de 1888. Os escravos serviam para fazer os trabalhos pesados que o homem branco não realizasse, não tinham condições dignas de vida, eram maltratados, apanhavam, ficavam amarrados dia e noite em troncos, eram castigados, ficavam sem água e sem comida, suas casas eram as senzalas, onde dormiam no chão de terra batida.
O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros, desde a época da colonização do Brasil. Hoje temos várias leis que defendem esses direitos, como a de cotas nas universidades, pois se acredita que, em razão dos negros terem sido marginalizados após o período de escravidão, não conseguiram conquistar os mesmos espaços de trabalho que o homem branco. Você sabia que na época da escravidão os negros não tinham direito ao estudo ou a aprender outros tipos de trabalho que não fossem os braçais? Ficando presos a esse tipo de tarefa. Muitos deles, estando libertos, continuaram na mesma vida por não terem condições de se sustentar. Este dia é marcado pela luta contra o preconceito racial, contra a inferioridade da classe perante a sociedade, garantindo os direitos sociais. Busquei mostrar esta data por sentir que fazendo isto teria como agradecer estes que fazem parte de nossa família Brasil.

Antonio Freitas Neto





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